O plano de parto é um documento elaborado pela gestante, podendo ser desde uma simples carta para o obstetra assistente que acompanha o pré-natal até um protocolo mais formal entregue à equipe assistencial no momento de sua chegada à maternidade, onde são registrados os desejos da mulher relacionados ao parto e ao nascimento, e os procedimentos relacionados a eles. Não se trata de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para uma conversa, atentando para um diálogo. Seu maior valor está em propiciar uma reflexão e uma melhor compreensão sobre o tipo de parto que a gestante prefere, seus desejos em relação a determinados procedimentos e algumas situações que a mesma gostaria de evitar.

A elaboração de um plano de parto auxilia a mãe a esclarecer suas dúvidas e angústias, adquirir informações adequadas e confiáveis, enfim, organizar suas ideias para, assim, com um bom embasamento, definir junto ao seu médico aquilo que considera mais importante e apropriado no momento do parto.

Algumas questões a serem abordadas na elaboração de um plano de parto:

⦁ Presença de acompanhante em sala de parto
⦁ Deambulação: Estudos já demonstraram que a deambulação durante a fase ativa está associada a um encurtamento do trabalho de parto, desde que não exista contraindicação médica.
⦁ Posições para o parto: O ideal é buscar a posição em que a paciente se sinta mais à vontade e confortável para alívio da dor ou pela facilidade de fazer força.
⦁ Enema (lavagem intestinal) e Tricotomia (raspagem dos pelos pubianos): Não existe rotina preestabelecida de realização de enema ou tricotomia, a não ser que a gestante ou o seu médico obstetra solicite tais procedimentos.
⦁ Episiotomia (corte no períneo): A episiotomia não é realizada de rotina, mas está indicada para situações específicas que são avaliadas pelo médico.
⦁ Métodos para alívio da dor: não farmacológicos (massagens, duchas quentes, técnicas de relaxamento) ou farmacológicos (uso de medicamentos endovenosos).
⦁ Analgesia e Anestesia: A analgesia raquidiana e/ou peridural realizada durante o trabalho de parto é um recurso para amenizar a dor das contrações.
⦁ Jejum ou Alimentação: Em situações habituais (baixo risco), podem ser consumidos água e alimentos leves. O jejum absoluto é necessário também no caso de uma cesariana programada.
⦁ Monitorização dos batimentos cardíacos fetais: A ausculta fetal intermitente é recomendada (a cada 15 - 30 minutos no período de dilatação e a cada 5 minutos no período expulsivo), enquanto a cardiotocografia intraparto contínua deve ser reservada a casos específicos.
⦁ Ocitocina: A ocitocina (hormônio da contração) pode ser utilizada com o objetivo de regularizar as contrações quando a evolução da dilatação não for satisfatória, desde que não haja desproporção céfalo-pélvica e que a monitorização fetal esteja tranquilizadora.
⦁ Amniotomia (ruptura da bolsa): A ruptura intencional da bolsa amniótica pode ser utilizada como recurso para o manejo do trabalho de parto. O líquido amniótico possui coloração clara, mas o feto pode estar em risco de sofrimento quando há presença de mecônio (material esverdeado e espesso que constitui as fezes do bebê).
⦁ Cuidados com o recém-nascido: contato com a mãe ao nascimento, clampeamento do cordão umbilical, banho do bebê, vacinas de rotina, amamentação e alojamento conjunto.

Essas questões precisam ser discutidas previamente durante as consultas de pré-natal com seu obstetra. Muitas intervenções têm respaldo científico e trazem benefícios à gestante, enquanto outras, às vezes, podem ser evitadas.

É importante conhecer as rotinas peculiares de cada hospital e conversar com seu médico durante o pré-natal sobre seus desejos como gestante, esclarecendo suas dúvidas. Dessa forma, durante o trabalho de parto, você estará mais segura em participar das decisões juntamente com a equipe assistencial, sabendo de antemão sobre as indicações de determinados procedimentos, seus benefícios e prejuízos. Acima de tudo, são de extrema importância a relação médico-paciente e a confiança depositada em seu obstetra, pois, em situações de risco para você ou para o seu bebê, ele que irá definir a conduta mais adequada e indicada.

Pequenos detalhes podem fazer grandes diferenças e garantir um parto tranquilo e com segurança! A gestante é a protagonista da história, seu obstetra e a equipe assistencial serão seus guias, garantindo, dessa forma, um parto mais humanizado, e tornando desse momento único uma experiência intensa e enriquecedora!

E agora, como você imagina o seu parto e o nascimento de seu filho?
Após conversar com profissionais da saúde que entendem do assunto e trocar experiências com outras gestantes, coloque em palavras seus desejos, e esteja preparada para viver este grande momento com tranquilidade!